Dê uma olhada aos nomes dos primeiros autores confirmados para a FLIP 2014

Evento destaca escritores de origem latino-americana. Do romance ao jornalismo, convidados mostram força internacional da cultura hispânica.  A programação da Flip 2014 terá nos autores latino-americanos um de seus núcleos fortes: quatro dos vinte convidados internacionais têm origem na América hispânica e vêm inseminando a literatura europeia e a norte-americana com sua prosa.

O chileno Jorge Edwards, a argentina Graciela Mochkofsky, o mexicano Juan Villoro e o peruano-americano Daniel Alarcón estão confirmados na edição deste ano do festival literário, que vai acontecer de 30 de julho a 3 de agosto, em Paraty.

Uma boa oportunidade para desfrutar do charme da cidade colonial e da exuberante natureza da região. A cidade já tem opções de hospedagem barato em pousadas, também hospedagem na serra e, para desfrutar do rio,  tem aluguel de bungalô na cachoeira. Consulte os preços de alojamento o mais rapidamente possível antes que a ocupação seja total.

 

Nascido em Santiago do Chile em 1931, Jorge Edwards é uma testemunha dos tempos heroicos da literatura latino-americana, os anos 1960 e 70 – entre os seus amigos, mentores e companheiros de geração estão Julio Cortázar, Julio Ramón Ribeyro, Mario Vargas Llosa e Octavio Paz (que chegou a prefaciar seu livro mais conhecido, Persona non grata, no qual rememora sua atuação como embaixador do Chile de Salvador Allende em Cuba).

Praticamente inédito no Brasil, Edwards teve o romance A origem do mundo publicado pela Cosac Naify em 2013. Personagem exuberante, grande leitor, esquerdista de origem aristocrática e não alinhado com o marxismo ortodoxo, ele promete ser uma das boas e divertidas descobertas da programação.

O caso de Juan Villoro, nascido na Cidade do México em 1956, também ajuda a ilustrar a falta de comunicação que por vezes se observa entre a cultura brasileira e a dos países da região.

Maior nome das letras mexicanas, em seus mais de trinta livros publicados, Villoro transita entre os mais diversos gêneros: vai do ensaio erudito à literatura infantil, do teatro à reportagem, da crônica esportiva à narrativa de fôlego. Grande conversador, ex-aluno de Octavio Paz, amigo de Roberto Bolaño e de Enrique Vila-Matas, Villoro vai mostrar em Paraty por que está no primeiro time das letras hispânicas.

Seu romance Arrecife será lançado no Brasil durante a Flip 2014. A trama une duas imagens que simbolizam o México dos dias de hoje: uma praia paradisíaca e a guerra entre o governo e os cartéis do narcotráfico, que já fez mais de 80 mil mortos no país. O protagonista, Mario, é o criador da “ecologia do pavor”, que oferece aos turistas doses “controladas” dos diferentes medos que assolam o país – por exemplo, o de ser decapitado.

Graciela Mochkofsky (Neuquén, 1969), um dos grandes talentos do jornalismo argentino, especializou-se em investigar as relações quase sempre viciadas entre mídia e poder em seu país. Tarimbada repórter de política, Graciela tinha um futuro assegurado nas grandes redações, mas migrou para a internet e para os livros para continuar a realizar seu trabalho de maneira independente.

O livro-reportagem Pecado original (2011) esmiúça, sem tomar partido, a disputa entre o casal Kirchner e o jornal Clarín, expondo os interesses econômicos e políticos de ambos os lados.

Timerman – El periodista que quiso ser parte del poder (2003) é a biografia de Jacobo Timerman, jornalista tão controverso quanto brilhante que acaba preso e torturado pela ditadura que ajudou a instalar.

Seus livros ainda são inéditos em português, mas o leitor brasileiro pode conhecer a prosa de Graciela em suas reportagens publicadas pela revista Piauí.

O jornalismo também é uma das frentes de atuação de Daniel Alarcón. Nascido em Lima, em 1977, Alarcón foi morar nos Estados Unidos aos três anos de idade. Falando espanhol com os pais e inglês na rua e na escola, Alarcón fez-se escritor de ficção valendo-se apenas de seu idioma de adoção, mas foi na descoberta tardia de sua cultura de origem que encontrou sua identidade literária.

 

Desde a sua festejada estreia, em 2005, ele vem se acostumando a frequentar tanto as listas de melhores jovens autores latino-americanos (como os que se reuniram em 2010 no festival Bogotá39) quanto as dos melhores escritores americanos (Granta e The New Yorker).

O leitor brasileiro já o conhecia de Rádio Cidade Perdida (Rocco), um ácido retrato de um país sul-americano não especificado. Esse continente de contornos borrados também ambienta seu trabalho mais recente, o romance À noite andamos em círculos, que será lançado na Flip 2014 pela editora Alfaguara.

Se para o escritor brasileiro o jornalismo e a literatura por vezes parecem atividades incompatíveis, autores como Villoro e Alarcón tiram partido dessa mescla de gêneros. Alarcón inaugurou em 2011, com sua mulher, Carolina Guerrero, um projeto independente de jornalismo narrativo em espanhol, com histórias de pessoas comuns enviadas pelos ouvintes da Rádio Ambulante (difundida na internet e em FMs e AMs de diversos países). Ele também colabora com revistas como The New Yorker, Harper’s e Etiqueta Negra.

 

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